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ESPAÇOS E PATRIMÔNIOS 

08 OUT 2016
08 de Outubro de 2016

Esse é o Baobá que fica pertinho do Parque da Jaqueira. Em torno do Baobá está erguendo-se o Parque Capibaribe, que tomará parte da orla do rio naquela área. Já estão acontecendo atividades por lá, como contação de histórias, passeios de barco no rio Capibaribe e atos de conscientização social por parte da sociedade civil organizada. Recentemente, por exemplo, houve ato de combate à cultura do estupro. 

Passeios de barco no Rio Capibaribe


Pois bem... Pra quem não sabe, isso só vem acontecendo porque houve muita luta para que aquele espaço público não fosse barganhado entre prefeitura do Recife e a especulação imobiliária. Uma luta que se assemelha a outras, como o bravo “Ocupe Estelita”. No entanto, assim como está acontecendo no Cais José Estelita, a luta pelo parque capibaribe também foi rotulado pela burguesia e seus seguidores, como "coisa de quem não tem o que fazer"; "desocupados"; "vagabundos"; "noiados"; "arruaceiros"... E por aí vai.

Movimento Ocupe Espetila


O grande detalhe disso é que quando vem a conquista, depois de muita luta das pessoas que brigam para que os espaços públicos não sejam segregados, todos desfrutam do lugar. Como é pra ser. Só que muitas das pessoas que ocupam o parque para lazer com as famílias, são exatamente as que se colocam contra as lutas. As que rotulam quem está lutando.

E não estou aqui dizendo que não deveriam estar la. Até porque defender isso seria segregar da mesma forma. Mas o grande ponto a ser discutido é que quanto mais as pessoas da chamada "elite" desfrutam do espaço, mais estas mesmas pessoas desejam que o espaço seja delas. E só delas. Assim como acontecem em outros vários locais que deveriam ser públicos. A tentativa de “elitização” é um fato. E não duvido que, com o tempo, isso vai acontecer também no Parque Capibaribe, caso as pessoas não estejam alerta. 

Cais José Estelita, onde o Movimento Ocupe Estelita luta para que o espaço seja revitalizado para as pessoas.

Como irá ficar caso o projeto Novo Recife seja aprovado.


No entanto, o que não podemos é deixar de ocupar. Que seja o estelita. Que seja toda a orla do Capibaribe. Que seja o casarão histórico da Várzea. Que seja a estação de trem de Camaragibe. Ou o que resta da Vila da Fábrica. Por falar na Vila, que fica em Camaragibe e é a mais antiga vila operária da América Latina, levantei na internet uma questão sobre o poder público e revitalização. Na ocasião, acredito que em novembro de 2015, falei sobre a informação de uma possível revitalização no bairro, que ainda tinha aspecto histórico. Comentei que esperava que os donos do poder não achassem que revitalizar seria asfaltar um local que tinha uma história a ser preservada. Mas infelizmente foi exatamente isso que eles pensaram. E pior: Fizeram! Como mostram as imagens abaixo.

Subida da Vila da Fábrica antes da "revitalização".

Subida da Vila da Fábrica após a "revitalização".


O grande detalhe é que sempre haverá o discurso de que “a população aprova”. É importante deixar evidente que se as pessoas não souberem qual é o resultado da soma de dois mais dois, elas acreditarão no que for dito a elas. Sobretudo se for pelo chamado alto escalão. É só observarmos o que muita gente fala sobre o projeto “Novo Recife”, com seus espigões segregadores. Muita gente gosta e aprova, porque nem imagina o tamanho da maldade que existe naquele projeto. 


Rio Capibaribe nas imediações do Parque Capibaribe

Mas a luta segue onde ainda é possível ter lutas. Vamos continuar sendo xingados de tudo aquilo que falei. E depois vamos ter de lutar pra que não segreguem de novo, um espaço que é de todas as pessoas. E assim seguimos. Lutando muito. Conquistando. Ocupando. Resistindo.


André Agostinho - Coordenador 


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