RadioCulturaViva.Com
                                   MÚSICAS E INFORMAÇÕES 24 HORAS POR DIA                                                                                       

A MORTE DE LAMPIÃO: ENTENDA A HISTÓRIA.

27 DEZ 2015
27 de Dezembro de 2015
Quinta-Feira. 28 de julho de 1938. 48 policiais, sob o comando do Tenente João Bezerra, cercaram a Gruta de Angico (entre Sergipe e Alagoas), onde repousavam 38 cangaceiros, entre eles Lampião e Maria Bonita. O ataque surpreendeu o grupo de Virgulino, que já havia furado cercos muito mais complexos. Nos quase 20 anos de luta, Lampião e seu bando sempre souberam se livrar da volante. Polícia de sete estados do Nordeste fracassou várias vezes tentando dar “cabo” do maior cangaceiro da história. 

É cada vez maior o número de historiadores e pesquisadores que defendem a traição e o envenenamento como fundamentais para que a chacina de 1938 acontecesse. Segundo relato de pessoas que se dedicaram a pesquisar a história do cangaço, tudo começou com uma denúncia* feita à polícia, que entregou Pedro de Cândida, o mais fiel a coiteiro de Lampião. Pedro foi pego, muito torturado pela volante, e, já sem forças, aceitou entregar o esconderijo dos cangaceiros.


(*O cangaceiro Corisco descobriu que possivelmente, o delator foi Domingos Ventura, parente de Pedro de Cândida. Inclusive, Corisco se vingou da morte de Lampião, matando Domingos Ventura e outros cinco parentes do mesmo, fuzilando-os e degolando-os)


Ali começava uma estratégia fria para um derradeiro ataque ao Rei do Cangaço e seu bando quase invulnerável. Este relato a seguir está no livro “LAMPIÃO. A TRAJETÓRIA DE UM REI SEM CASTELO”, do historiador e pesquisador PAULO MOURA:

“(...) Pedro de Cândida sabia do risco que corria, mas risco maior seria ter de enfrentar a fúria da volante que sabia-o coiteiro. Usando e abusando da confiança que Lampião depositava nele, pôs veneno na bebida (fazendo uso de agulha hipodérmica) e no pó do café que seria tomado provavelmente pela manhã, antes do grupo seguir viagem, como Lampião havia planejado(...)”

O entorpecimento do bando deu certo para a polícia. Nem os sentinelas nem os dois cães farejadores, perceberam a aproximação da volante. Começava ali, um ataque surpresa. Pego na traição, Lampião e seu grupo eram alvos fáceis. Apesar da morte do soldado Adrião (única baixa do lado da volante), os policiais festejaram a vitória, sobretudo, porque entre os que caíram estava Virgulino.

Lampião, Maria Bonita, Cajarana, Mergulhão, Luiz Pedro, Enedina, Diferente, Caixa de Fósforo, Elétrico, Quinta-Feira e um outro não identificado, foram os onze mortos na chacina. Maria Bonita e Quinta-Feira foram degolados ainda com vida. Os demais também foram degolados, mas já estavam mortos. As cabeças foram expostas pelos soldados, que desfilaram com pose de vitoriosos. A maioria do bando conseguiu fugir, mas a morte do líder esfacelou o movimento. Aos poucos, os cangaceiros foram se entregando. Com raríssimas exceções, como foi o caso de CORISCO, que dormia na outra margem do rio, quando o bando de Lampião foi atacado. Ainda seguiu, com sede de vingança, só sendo parado no dia 23 de março de 1940, assassinado em Barra do Mendes – BA. Fecho este relato, com mais um trecho do livro LAMPIÃO. A TRAJETÓRIA DE UM REI SEM CASTELO”, do Paulo Moura:

“(...) A polícia, mantenedora da ordem e do respeito ao semelhante, que tinha (e sempre terá) a missão de carregar em seus umbrais a justiça e a seriedade, nunca correspondeu integralmente aos seus deveres. Numa visão mais simples e direta, podemos dizer que as polícias, na grande maioria, também eram compostas por bandidos. Matavam, saqueavam, estupravam, surravam e eram facilmente subornadas(...)”

Quando falamos em Lampião, no cangaço, em outros lideres do movimento, na polícia, nos coronéis, é necessário que a análise seja feita exatamente com as condições da época. É necessário tomar conhecimento que fazendeiros ganharam, do poder público, o poder de mandar e desmandar na região. É importante encontrar o fio condutor dessa história. Lampião está eternizado pela sua história. Independente de quem o ache herói, vilão, justiceiro, vítima do meio, oportunista, revolucionário... Sua estrada será, sempre, motivação para estudos diversos. É evidente que o banditismo era praticado. Mas, dentro daquele contexto, há uma diferença entre ser bandido e ser vilão. É só olharmos a história dos coronéis. O cangaço acabou, Lampião morreu, os coronéis continuaram devastando tudo. As mortes seguiram. Os flagelos perduram até hoje. E ainda há quem culpe os cangaceiros pelo atraso e sofrimento do povo.

Compartilhe a notícia. Copie o link e cole na sua rede: http://migre.me/t4q4b

Voltar