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OLHARES SOBRE O CARNAVAL

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por Caio Pereira

PALCOS DO RECIFE

Sábado

Destaque para Lenine no Marco Zero. Show aguardado por muita gente até pela ausência dele no carnaval de 2015. E Lenine não decepcionou. O show caminhou, sobretudo pelo repertório do disco carbono.

No pátio de São Pedro, a apresentação de Johnny Hooker foi marcada por um erro na divulgação do horário. Anunciado para 20:30, sua apresentação começou às 19:30, pegando muita gente de surpresa. Muita gente assistiu apenas a metade do show.

Domingo

Praça do arsenal - destaque para a apresentação da família salustiano e a rabeca encantada. Uma brilhante apresentação, contagiando todo o público do polo. Uma manutenção da história e do legado do Mestre Salustiano.

segunda-feira

Noite de maior público do marco zero. Além do público que ja estava indo para o carnaval, havia notadamente, público d’o Rappa e do Jota quest, além do já imenso público da Nação Zumbi. Nos shows, a Nação Zumbi se destacou. Entre músicas do seu repertório e músicas dos dois discos do começo de tudo com Chico Science, a banda entrou no clima das comemorações dos 50 anos de nascimento do eterno malungo. Destaque também para a participação de Lula Louise, a filha de Chico, que abriu a apresentação com Monólogo ao pé do ouvido.

O ultimo show terminou por volta das 05:40, com o Rappa. O público ainda era grande. E resistente.


Nação Zumbi e Lula Louise no palco do Marco Zero.



Terça-feira

No Pátio de São Pedro, acompanhamos a apresentação de Lira, e no meio de um público razoável, estavam duas crianças que conheciam todas as músicas do repertório do artista. O pai das crianças, primo de Lira, informou à equipe que sempre coloca boas músicas para eles ouvirem: Lira, Nação Zumbi, Chico Buarque... O gosto musical influencia essas crianças desde cedo.

No Rec-beat,o destaque da terça-feira foi para Johnny Hooker e Liniker, empolgando a multidão que ali estava.  

No Marco Zero, os destaques foram Alceu Valença, Elba Ramalho e SpokFrevo Orquestra. O orquestrão entrou por volta das 04:30. Embora a maior parte do público já estivesse ido embora, muita gente ainda ficou para o arrastão do Frevo, pelas ruas do Recife Antigo. 


Orquestrão na reta final do Carnaval do Marco Zero. Entre as atrações, estava Claudionor Germano. 


por André Agostinho

CENTRO DO RECIFE:

A impressão que se tem, é que o centro do Recife, aos poucos, vem sendo retirado do roteiro de carnaval da capital pernambucana. Apesar de manter quatro polos (Pátio de São Pedro, Pátio do Terço, Praça da Independência e Avenida Nossa senhora do Carmo – onde acontecem os desfiles das agremiações), a visibilidade para os locais inexistiu. Nenhuma ornamentação (ou sequer uma sinalização) foi colocada nos caminhos para os Pátios, como mostra a foto abaixo. Tudo escuro e bem deserto. Quem não conhecia Recife, fatalmente não imaginava que ali seria caminho para um polo tradicional. O Pátio do Terço é o Polo afro.

Caminhos que leva ao Pátio do Terço. Domingo de Carnaval por volta das 19:30.

No domingo de carnaval, acompanhei alguns desfiles do polo da Avenida Nossa Senhora do Carmo, além de visitar os pátios do Terço e de São Pedro. Com pouca divulgação e nenhuma ornamentação, o Pátio de São Pedro estava com um público reduzido, havendo mais pessoas nos bares do que na frente do palco. O público começou a crescer, com o início da apresentação da orquestra de Frevo Raízes pernambucanas (Maestro Fábio César) e logo em seguida, com o cortejo do Afoxé Filhos de Xangô.

Orquestra de Frevo Raízes Pernambucanas 

Afoxé Filhos de Xangô

Seguindo para o Pátio do Terço, onde acontece todo domingo de momo, o encontro de blocos afro e Afoxés, deparei-me com uma cena ainda pior: Após ter de enfrentar um caminho deserto e escuro (como já citei no início desse relato), ao chegar no polo, encontrei grades ainda sendo montadas, enquanto os blocos afro já se apresentavam para (evidentemente) poucas pessoas. Perguntei à coordenação, onde ficaria a imprensa para a cobertura dos eventos. Apontaram-me um local longe do palco e que mesmo assim ainda estava sendo montado. Ou seja: Não seria possível realizar uma cobertura com um mínimo de estrutura no polo afro, no domingo de carnaval. Buscamos informações sobre a segunda-feira, quando acontece a Noite dos Tambores Silenciosos, e fomos informados que pouco foi melhorado em relação ao domingo. 

Espaço ao lado do palco do polo afro (Pátio do Terço) onde em 2015 serviu como espaço para imprensa. Em 2016 ficou assim.Desativado e escuro. Essa foto foi tirada no momento do cortejo dos blocos afro no domingo de carnaval. 

Como em 2015, a situação foi praticamente a mesma (2016 conseguiu ser pior), a sensação é que querem fazer em todo o centro do Recife,o que fizeram com a Avenida Guararapes: Que ali seja apenas uma passagem para as pessoas que querem ir ao Recife Antigo.

 

Talvez seja mantido apenas o polo das agremiações, na Avenida Nossa Senhora do Carmo (que em 2015 colocaram nos fundos do camelódromo). Assim as agremiações mantém seu espaço para os desfiles de concurso. Por lá, as arquibancadas estiveram bem movimentadas, como mostram as fotos abaixo, ocupadas por pessoas das comunidades onde pertencem as agremiações que ali desfilaram.

Bom número de pessoas nas arquibancadas da Avenida Nossa Senhora do Carmo para ver os desfiles.







                                 NAÇÃO ZUMBI
                                               E
       ORQUESTRA POPULAR DA BOMBA DO HEMETÉRIO

Na galeria abaixo, registros da apresentação de Nação Zumbi e da Orquestra Popular da Bomba do Hemetério no Recife Antigo.

Crédito das fotos: Caio Pereira / radioculturaviva.com

OLHARES SOBRE O CARNAVAL

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por Marcus Souza

*Marcus Souza foi o repórter-taxista da Rádio Cultura Viva no carnaval. Teve um contato direto com as pessoas que estavam indo ou saindo dos focos de folia. E colheu informações importantes de homens e mulheres de várias partes do Brasil.

CONVERSANDO COM FOLIÕES:

Um fator que segue a nosso favor é a democracia do carnaval. A espontaneidade no meio da folia em Pernambuco é um orgulho nosso. Um grupo de sergipanos que estava frevando por aqui, falou que  em Aracaju tem carnaval, mas não se assemelha ao calor humano que existe aqui, sobretudo nas ladeiras de Olinda e ruas do Recife, que foram os locais onde eles aproveitaram. Outro exemplo: Um pernambucano que estava há dois anos sem brincar o carnaval de Pernambuco. Está morando em Salvador, casado com uma baiana. Resolveram vir. E ela já avisou: As próximas vindas terão de ser no carnaval.


Bloco Lírico se apresentando na Avenida Nossa Senhora do Carmo. 

Em outra situação, um pernambucano que é produtor de grandes nomes da música brasileira, estava em Recife. Mora há dois anos em São Paulo. Já produziu trabalhos de gente do porte de Nação Zumbi, e atualmente no seu currículo produz nomes como Seu Jorge, Gal Costa e Emicida. Aproveitou a apresentação de Emicida no carnaval de Pernambuco, pra ficar por aqui, convencendo a equipe do artista a ficar aqui, alegando muitos gastos e dificuldade de logística. Mas a vontade mesmo era voltar a respirar os dias do carnaval de Pernambuco. Ele falou isso enquanto se direcionava para o Pátio de São Pedro. 

Afoxé no Pátio de São Pedro.

Outro relato: Uma senhora, vitimada pela chicungunha, que tomou um coquetel de remédios para suportar o dia em que seu bloco (Compositores e Foliões) iria desfilar no Recife. Ela é integrante do bloco e não queria perder o desfile. Por fim, uma folia que se deslocava para uma dessas casas-camarote fincadas em Olinda. Apesar de ir de encontro às tradições da folia olindense, o dia em que esse camarote teve maior público, foi no dia da apresentação de Alceu Valença.

Recife e Olinda, que foram as cidades por onde Marcus circulou, mostram que a essência do carnaval pernambucano segue com muita força. E muita essência.     



  

Morro da Conceição

O Polo descentralizado visitado pela equipe da Rádio Cultura Viva, foi o Morro da Conceição, no domingo de carnaval. Na ocasião, estava acontecendo o encontro de Blocos Líricos com direito a cortejo em torno da igreja do Morro. Ainda houve uma bela apresentação de Maracatu Rural. 
 

Bloco das Ilusões no encontro de Blocos no Morro da Conceição.


O fato a lamentar foi que, em meio a apresentação, um grupo de pessoas chegou na praça com um carro, abrindo portas e mala do veículo, colocando som muito alto, atrapalhando a apresentação, e nada foi feito pela coordenação ou polícia.


Chegada do Maracatu no Morro da Conceição.



CARNAVAL DE CAMARAGIBE

Em Camaragibe, acompanhamos algumas agremiações independentes. E também acompanhamos algumas apresentações no bairro da Vila da Fábrica, onde ocorrem os desfiles oficiais das agremiações ligadas à Federação das Agremiações carnavalescas da cidade. Na galeria abaixo, algumas imagens por onde estivemos. 

La ursas, bois, troças, grupo afro e muita luta de quem coloca o verdadeiro carnaval nas ruas.

As agremiações independentes que acompanhamos foram o Urso do Oião, o cortejo do grupo Afro Nação Camará, a Troça Canavalesca Vôti! Que Bagaceira! e o  bloco Divino Malandro.

Estes dois últimos, assim como o encontro de Blocos Líricos, que reuniu dez agremiações, e também registrado pela rádio Cultura Viva, aconteceram no fim de semana pós-carnaval.

Crédito das fotos: André Agostinho / radioculturaviva.com  

OLHAR GERAL DO CARNAVAL DO RECIFE

Em 2016, o número de agremiações, que são a engrenagem do carnaval de Pernambuco, foi bem menor nas noites do Recife antigo, do que em 2015, que já havia sido pequeno. 

A impressão que se passa é que Recife quer caracterizar seu carnaval na parte da tarde, até o começo da noite. A partir daí, o espaço se transforma apenas em um festival de shows de palco, onde mais da metade passa distante das características da nossa folia. 

A Limpeza urbana na capital pernambucana está de parabéns. Constantes mutirões de profissionais da limpeza estiveram em atividade. 

No entanto, a mobilidade urbana consegue piorar a cada carnaval. Houve relatos de pessoas para nossa equipe que, para conseguirem pegar um taxi, tiveram de percorrer do Marco Zero até o Derby. Em relação aosTransportes coletivos,foi ainda pior.

A utilização do espaço que deveria ser público, sendo transformado em camarote, também não condiz com o carnaval do recife. Shows e segurança para as pessoas (não seriam foliões, tendo em vista que não houve sequer um show de carnaval), propagando de forma discreta, que é melhor pagar e estar ali dentro do “conforto” do que estar nos shows gratuitos. 

A dificuldade de turistas para obter informações gerais também foi notada. Tanto para transportes, como nas indicações para outros polos. Para as pessoas sacarem dinheiro, também houve extrema dificuldade.


OUTRAS IMAGENS DA FOLIA

Crédito das fotos: 
André Agostinho / radioculturaviva.com
Caio Pereira / radioculturaviva.com
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