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    CARNAVAL 2017 SOB OLHARES DA EQUIPE DA RADIOCULTURAVIVA.COM

Estivemos circulando na Folia da região metropolitana do Recife. E aqui registramos o que notamos.A intenção é ajudar a continuar construindo um carnaval que nos represente através da Cultura pernambucana. 

                                RECIFE: FESTIVAL X CARNAVAL

O carnaval do Recife tem perdido o foco em alguns de seus principais pontos. E, ironicamente, inverte valores sobre a essência do carnaval na capital pernambucana. No Bairro do Recife, o chamado “Carnaval do Recife Antigo” tem perdido o rumo, sobretudo na programação noturna, e é cada vez menos perceptivo o ambiente de carnaval tão característico da cidade.


Notou-se a falta de orquestras itinerantes, blocos, troças, cortejos... O único foco foram os palcos com shows (que em sua maioria não fomentam o carnaval) e algumas casas independentes, com uma programação sonora mais preocupada em rebuscar as discotecas dos anos de 1970 do que fazer referências à cultura da folia de momo pernambucana.


O que mais se percebe quando falamos em inversão de valores é que, enquanto cidades como São Paulo e Rio de Janeiro passaram a valorizar o carnaval de rua com seus blocos, exatamente tomando como exemplo a resistência histórica do carnaval recifense, o carnaval da capital pernambucana começou a regredir, preferindo valorizar camarotes e limitando cortejos de agremiações à noite, para tornar livre a movimentação para shows em palcos que, estrategicamente, estão de frente para os camarotes.

 

Nos polos do centro, nota-se um descuido enorme na ornamentação, sinalização e organização dos ambulantes. Mesmo assim, é sempre bom notar as arquibancadas lotadas na avenida Nossa Senhora do Carmo (Polo das agremiações). Lá, a gente percebe que no Recife é carnaval. As agremiações nas diversas vertentes desfilaram e mostraram o que Pernambuco tem. Aliás, o que é notório é que o que se vende sobre o carnaval de Pernambuco lá fora são essas agremiações. No entanto, elas não são tratadas como prioridade da festa onde deveriam ser Protagonistas e não coadjuvantes.

 

IMPRENSA EM ALGUNS POLOS

Na maioria dos polos, notamos esforço e muita seriedade das equipes de apoio, inclusive sem dificultar o trabalho da imprensa credenciada.

Na verdade, nossa equipe só teve dificuldades para acesso nos polos RecBeat e do Pátio de São Pedro. Não se sabe por que, as pessoas que trabalhavam nesses polos dificultaram nosso trabalho, mesmo com profissionais devidamente credenciados. No entanto, entramos e registramos como era de direito nosso.

 

ASSÉDIO

Em alguns pontos, o assédio contra mulheres foi notado pela equipe, inclusive com agressões às mulheres que recusavam os atos de assédio.


Encontro dos Afoxés & Noite dos Tambores Silenciosos

Com muita intensidade e resistência, o encontro dos Afoxés de Pernambuco aconteceu e voltou a encher o polo Afro no Pátio do Terço no domingo de carnaval.

Com hierarquia por idade, os afoxés foram se alternando, proporcionando uma noite de muita essência e riqueza cultural para as pessoas presentes.

O grito por respeito deixou evidente que ali não é a festa pela festa. Ali estavam grupos que lutam o ano todo pela autoafirmação. O encontro é culminância. E emociona.

Na segunda-feira, foi a vez da Noite dos Tambores silenciosos, tomando conta do polo afro, com cortejos que começaram no início da noite, com a noite mirim e seguiu madrugada adentro com os cortejos das Nações.

À Meia-noite, o ritual de homenagens ocorreu com a mesma intensidade e resistência que define a Noite dos Tambores como uma das mais importantes atividades do carnaval brasileiro.



                                                    Todos os créditos das imagens são da equipe da radioculturaviva.com 

        CAMARAGIBE: TROÇAS, NOITE ALTERNATIVA, VOLTA DO PALCO E POLINHOS

O carnaval de Camaragibe tem uma tradição de cortejos. Agremiações de diversas vertentes sempre se destacaram em suas respectivas comunidades. E acompanhamos alguns desses cortejos. Mas a cidade teve novidades de palco também em 2017. Após um longo período sem shows no carnaval, houve apresentações de diversas bandas começando na sexta-feira gorda, findando na quarta-feira ingrata.

 

A grande novidade ficou por conta do sábado de Zé Pereira e da Quarta-feira de cinzas, destinados a um público alternativo que ainda não havia sido contemplado numa programação de carnaval na cidade.

 

Bandas locais independentes também se apresentaram. Entre os destaques da programação cultural, citamos Silvério Pessoa e Siba, que fizeram do sábado alternativo, um polo que se houver continuidade, será um dos pilares da música pernambucana no carnaval da região metropolitana.

 

Importante destacar o público dos dias alternativos, tendo em vista que foram dias montados com bandas que são segregadas do mercado fonográfico de Pernambuco.

 

Para o pontapé inicial, nem tudo foram flores. O público do sábado fez duras críticas à locução do evento. Na tentativa de tornar a locução jocosa, forçou-se um entretenimento nos intervalos das bandas. Mas o que seria um atrativo transformou-se em clima indigesto. Pior foi perceber que, em determinado momento, um dos locutores pediu pra colocar um Frevo no som mecânico e alguém da mesa de operação disse que não tinha Frevo ali. Bela pisada na bola. Não ter frevo em uma programação de carnaval?

 

Não estivemos todas as noites no palco, mas buscamos as informações. Nos dias mais comerciais, houve um bom fluxo de pessoas. E nos chamados polinhos, descentralizando o carnaval da cidade, houve também boas informações, desencadeando inclusive, solicitações de pessoas de bairros que não foram contemplados, para que a sua comunidade torne-se, no futuro, um dos polos de programação.

 

CORTEJOS:

Acompanhamos as atividades de algumas agremiações que já movimentam Camaragibe tradicionalmente. Troças, ursos e bois foram os mais frequentes. E na terça-feira, os três blocos afro da cidade desfilaram: Afrogibe, Nação Camará e Soul do Alto. Estes dois últimos concentraram-se no mesmo bairro, em extremos diferentes da mesma rua e praticamente no mesmo horário, fazendo do Alto da Boa Vista, um verdadeiro quilombo urbano.

 

2017 também foi a estreia do Boi Criança, que como o nome sugere, levou a criançada pra rua como protagonista, a frente de um dos personagens mais queridos do folguedo popular: O BOI.

 

Outro destaque do carnaval de Camaragibe foi o sétimo encontro de blocos líricos, movimentando a Vila da Fábrica no domingo pós-folia oficial.


Aliás, o polo das agremiações da Vila da Fábrica, como sempre, levou um bom público para os desfiles oficiais das agremiações filiadas à Federação das Agremiações Carnavalescas de Camaragibe. Apesar da estrutura um pouco deficitária, notou-se espaço para acessibilidade e um esforço enorme dos integrantes da FACC para fortalecer o fomento cultural. 


Outros atrativos movimentaram a cidade. O que notou-se ( e com certeza deverá ser melhorado) foi a falta de organização em tempo hábil da grade de programação e a falta de uma divulgação maior dessa grade.

                          OLINDA: LADEIRAS, FREVO E PALCOS

O carnaval de Olinda tem um detalhe importante: Se você tiver a sorte de chegar no momento certo, não consegue escolher qual agremiação acompanhar. No entanto em alguns momentos, devido o grande fluxo de pessoas, muitas agremiações demoram a passar pelas ladeiras. Em 2O17 não foi diferente.

No sábado foi mais fácil transitar e aproveitar a festa. O que não quer dizer que nos outros dias foi ruim. Muito pelo contrário: Olinda tem um carnaval de rua insuperável. E os palcos deste ano fomentaram uma programação sonora pernambucana de forma  muito intensa e diversificada, sempre a partir da segunda metade da tarde. Entre os destaques, os shows de Ave Sangria e Bongar, além do inquieto Alceu Valença sempre empolgando a multidão. 

E os astros, ou seja, os blocos e as troças determinaram o calor do carnaval da cidade-patrimônio. 

ASSÉDIO

Infelizmente, Olinda tem um histórico recente de assédios e que este ano manteve-se muito forte. A vem piorando a intolerância, tendo em vista que os homens vem impondo que as mulheres aceitem o assédio como algo normal. A intolerância do cotidiano teve forças no carnaval. Mas é bom saber que as resistências também. 

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